domingo, 23 de janeiro de 2011

Estilo de Vida: Entrevista com Jared Leto

Jared Leto, 39 anos, é ator e músico. Nascido na Louisiana, ele vive em Los Angeles. Ele é o compositor, guitarrista e vocalista da sua banda, 30 Seconds to Mars.


Eu moro em Los Angeles, a cidade dos anjos. Esta manhã fui despertado pelo som de um gavião que vive acima da minha casa. O grito dele é muito interessante. Logo depois, eu ouvi o caminhão de lixo na rua – acho que é uma bela representação da dicotomia deste planeta.

Minha casa é como um laboratório. Construímos e pagamos para ter nosso próprio estúdio de gravação, que fica no andar de baixo da casa. É onde temos trabalhado nos últimos dois anos para gravar o nosso último álbum, This Is War. Há uma boa quantidade de pessoas que trabalham fora da casa, e temos vários projetos acontecendo durante todo o dia. Minha assistente está na casa, e também trabalha fora e me ajuda com alguns destes outros projetos.

A partir do minuto que me levanto, o dia é cheio. Faço um shake para mim com várias frutas. Se eu sou louco por saúde? Eu sou um louco, com certeza, e saudável, por vezes também. Eu começo meu dia olhando alguns e-mails e as coisas que sobraram de ontem. Pode haver uma reunião de negócios em seguida.

Faço música desde que eu era um garoto. Tem sido uma parte consistente da minha vida desde que eu era muito jovem. Eu nasci em Louisiana. Eu me arrastei para fora das margens lamacentas do Mississippi. Sempre havia pessoas ao meu redor fazendo música, seja ela em um piano ou em uma guitarra enferrujada. Meu irmão Shannon, que está na banda, começou a tocar bateria quando ele tinha cinco anos. Mas na verdade, a expressão criativa mais consistente era a arte visual. Nós estávamos cercados de vários artistas plásticos - pintores e escultores. A música estava sempre ali, mas não conhecia ninguém que fizesse isso profissionalmente.

Depois de alguns anos tumultuosos acabei indo para a escola de arte. Em seguida, me transferi para o curso de produção de filmes, com a intenção de ser um diretor. Eventualmente, acabei começando a trabalhar como ator, mas na verdade meu plano era conseguir trabalho como ator para ajudar com minha aspiração de me tornar diretor. O tempo todo eu estava fazendo música, e isso se tornou uma parte cada vez maior de nossas vidas até que ela tomou o controle, como a música pode muitas vezes fazer. Então isso tem sido uma longa progressão natural. O nosso primeiro contrato com uma gravadora foi assinado em 1998, mas nós estamos juntos a muito mais tempo.

No 30 Seconds to Mars, nós realmente tentamos encorajar uns aos outros para permanecer fiéis a nós mesmos e para marchar ao ritmo do nosso próprio tambor. Nós não estamos interessados em ser outra banda, ou a banda idealizada de alguém. Estou muito focado e motivado. Eu sou grato por ter este trabalho, gosto do processo. Gosto de escrever, da gravação e da turnê. É incrível poder fazer isso, nós gostamos de poder ver o mundo, mas no dia a dia, também tem uma parte bem trabalhosa, que é ensaiando e tendo reuniões com a nossa equipe de produção para se certificar de que tudo vai dar certo. Há uma hora e meia no palco é a uma experiência mágica, o resto do dia é projetado para suportar isso, porque a nossa maior preocupação é com o público e em lhes proporcionar uma noite que eles não vão esquecer tão cedo.

Eu sou fascinado e inspirado pela nossa audiência. Essa relação direta que temos com o público é uma grande parte do que é o 30 Seconds to Mars. This is War é um album muito interativo. Convidamos 1.000 pessoas de todo o mundo para o Summit em Los Angeles para participarem da gravação. Eles apareceram, cantaram e tocacarm percussão. E nós usamos esse grupo de pessoas como um instrumento no álbum.

Fizemos isso em oito outros países. Então eu recebi uma mensagem de Twitter de alguém no Iran que ficou frustrado pore não conseguir ir a um dos Summits, e que me deu a idéia de lançar uma versão digital do projeto.Kings & Queens e algumas das outras canções do álbum tem esta contribuição de milhares de pessoas de todo o mundo, incluindo Dublin. Então, de certo modo, esse também é um álbum irlandês.

Eu ainda faço filmes, e isso enriquece a minha vida na música. Eu sou capaz de levar o que aprendo com grandes diretores e aplicar esse conhecimento como diretor de vídeos de nossas músicas, nossos clipes são como curtas-metragens.

The Last of the High Kings foi o meu primeiro filme. É um filme irlandês, e eu interpretei um jovem de Howth. Eu tive um longo caso de amor com Dublin, e ser capaz de voltar e fazer show com minha banda na O2 significou muito para mim. Foi uma experiência incrível fazer o filme na Irlanda em 1995, e voltar em 2010, é muito bom.

Em noite de show, ficamos nos bastidores e começamos a nos preparar. Sempre trabalho normalmente até o último minuto, garantindo que tudo está certo para o show. Passo algum tempo tendo meu momento de solidão e então vou aquecer minha voz. As luzes se apagam e marchamos para o palco – é uma das coisas mais mágicas que pode imaginar. Nós sempre deixamos a porta aberta para surpresas, é uma aventura. É como quando você está em uma montanha-russa e vai subindo, subindo, até chegar à parte mais alta e você sabe que está prestes a descer muito rápido: é aquele momento.

Após o show, nós saímos para falar com as pessoas e assinar algumas coisas. Eu não vou para clubes. Permaneço focado. A melhor parte da noite é estar no palco, e depois disso, o que faço e diminuir o ritmo e me cuidar para poder seguir em frente e se concentrar para o próximo show.

Às vezes é difícil de desacelerar. Vou ler um livro, ou fazer algum trabalho que precisa ser feito, como a edição de um dos nossos vídeos. É muito trabalho duro, mas nós nunca iremos reclamar. É um trabalho maravilhoso de se fazer e estamos contentes de poder fazê-lo. É disso que os sonhos são feitos.


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